sexta-feira, 18 de maio de 2018

Brandon fala sobre Chris Cornell em tributo

Completando um ano da morte de Chris Cornell, o site Artist Waves publicou uma espécie de tributo, onde alguns músicos falaram um pouco dele, dentre eles, Brandon. Abaixo o trecho traduzido.

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Sunshower: um Tributo a Chris Cornell 

Brandon Boyd:

Havia um pequeno punhado de bandas no início dos anos 90 que realmente alimentaram minha chama criativa. O Soundgarden estava no topo dessa lista de bandas que realmente me fez querer escrever e tocar música. Eu aprendi sobre eles com meu irmão mais velho, e até hoje a voz de Chris é um lembrança dessa faísca original!

Eu sou muito feliz pelo pouco de tempo que tive com ele, mais recentemente em turnê pela Austrália em 2015 ao lado do Faith No More. Mas provavelmente a minha lembrança mais carinhosa de Chris foi em 2003, quando o Audioslave e Incubus estavam juntos no Lollapalooza. Tivemos um dia de folga em alguma cidade litorânea da Costa Leste, e várias bandas estavam hospedadas no mesmo hotel. Eu lembro de estar meio intimidado pelos caras do Audioslave, porque era formado por membros de duas das minhas bandas favoritas; Soundgarden e Rage Against the Machine.
Mas Chris (assim como os outros caras; Tom, Brad e Tim) foi muito caloroso comigo e nós conversamos por um longo tempo enquanto estávamos sentados na areia, ambos vestindo nossos bronzeados de estúdio. Todo mundo foi nadar no mar em algum momento, e eu lembro de estar surfando de peito, ao lado de Chris, enquanto ele estava fazendo bodyboard. Foi um momento humanizador para mim com ele, porque ninguém, nem mesmo Chris Cornell, pode parecer legal sendo jogado na areia molhada pelas ondas. É uma lembrança gentil, mas que permanece comigo. Eu tenho uma fotografia de 35mm em algum lugar na minha casa, ele e eu sentados na areia juntos, e uma pré-boba prancha de bodyboard.

Experiência ao vivo favorita:

Eu vi o ‘Temple Of The Dog’ quando eu tinha 15 ou 16 anos em um dos Lollapaloozas originais aqui no sul da Califórnia. Essa foi a primeira vez que eu o ouvi cantar ao vivo. Lembro de ficar admirado com a voz dele, e com um leve espanto de como um homem podia cantar do jeito que ele cantava. Enquanto penso nisso, o Lollapalooza e suas permutações tiveram um impacto desproporcional em minhas experiências musicais. Tanto como um membro da platéia e como um artista. Obrigado Perry Farrell!

Música favorita:

Minha experiência favorita do Cornell, ainda é Superunknown do Soundgarden. É um dos meus discos favoritos de todos os tempos. Entrou na minha vida em um momento tão importante e formativo, e fui mudado para sempre por isso. Eu sei que é em parte e ou principalmente um sintoma de envelhecimento, mas eu realmente me sinto abençoado por ter 17 anos em 1994; a música estava em uma mudança incrível e meu cérebro adolescente/jovem adulto era uma esponja. Eu sinto que ainda estou filtrando a influência de tantas bandas e artistas importantes da época. Chris Cornell sendo um deles. Ele faz muita falta, mas estou muito agradecido por tê-lo conhecido, ainda que perifericamente.



quinta-feira, 17 de maio de 2018

Entrevista traduzida com Brandon sobre a exposição 'OptiMystic'

Entrevista traduzida do site Guide Live, sobre a exposição OptiMystic do Brandon em Dallas, Texas.

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Confira a arte de Brandon Boyd do Incubus, agora em exibição em uma galeria de Dallas.


Os fãs de música podem conhecer Brandon Boyd como vocalista da banda americana de rock Incubus, cujos sucessos "Drive" e "Wish You Were Here" estavam em todos as rádios no início dos anos 2000. Hoje, Boyd ainda está fazendo música com a banda, que lançou seu oitavo álbum apropriadamente intitulado de ‘8' em 2017, mas ele também está perseguindo sua paixão pela arte.

Boyd tem rabiscado e esboçado desde que era criança. Você pode reconhecer seu trabalho no videoclipe da música "Drive", com animação de Boyd e seu companheiro de banda, o baterista Jose Pasillas, inspirados na litografia ‘Drawing Hands’ de M.C. Escher.




"Eu ampliei um pouco a escala", diz Boyd sobre seu salto de um desenhista de meio período para um artista em tempo integral. "E eu ainda rabisco também. Suponho que, tendo metade da vida inteira em fazer rabiscos, talvez tenha me dado permissão para rabiscar mais."

Em 2003, Boyd lançou ‘White Fluffy Clouds’, um livro de reflexões, poesias, letras, primeiros artigos de jornais, fotografias pessoais e desenhos. Ele seguiu com ‘From The Murks of Abyss Abyss’ (Volume 2) em 2007 e ‘So The Echo’ em 2013, volumes que demonstram seu imenso talento em meios artísticos, assim como a sua evolução como artista.

Boyd diz que lançar os livros é um "processo de limpeza da primavera".

"No início de 2002 e 2003, eu estava meio que enterrado em esboços e cadernos de esboços e não tinha feito muitas pinturas naquela época, mas [fiz] toneladas de anotações. Comecei a me sentir sobrecarregado com isso". ele diz. "Estava atravancando um pouco meu processo e queria eliminá-lo, literal e espiritualmente."



Compilar parte dessa arte "me ajudou a acostumar com o processo das pessoas olhando para o trabalho", diz ele. "Eu fiquei melhor nisso ao longo dos anos - fazendo isso e deixando ir."

Ao criar a arte de sua atual exposição, ‘OptiMystic’, Boyd deixou as aquarelas e tintas acrílicas falarem. Ele diz que selecionou as cores com base no seu humor e estado de espírito e deixou que derramasse sobre o papel ou tela. Os pigmentos que se misturassem e unissem intensamente formariam uma mancha ininteligível que Boyd traduzia para a existência, como ele diz, "olhando para o vazio". Assim que as cores revelassem seus segredos, ele começaria a desenhar linhas e figuras caóticas, porém serenas, com tinta sobre o croma.

Ele diz que percebeu algo "vislumbrando de volta" em seu trabalho.

"Eu sempre fui fascinado por pintar os olhos. Eu gosto de pintá-los não no cenário mais tradicional e tenho notado em muitos dos meus quadros, que muitos dos olhos estão obscurecidos ou fechados e os olhos estão abertos em outros lugares. Talvez está sugerindo um olhar para dentro."

Ao desenhar ou pintar figuras humanas, Boyd usou amigos como fontes de inspiração. Em seu trabalho "Allie Enveloped", Boyd fez um estudo sobre uma fotografia de um amigo. Outro trabalho começou como um esboço de dois amigos em um abraço íntimo.




A pintura é "um pouco como uma prática diária, suponho", diz ele. "Em outras palavras, é como uma meditação. Não há nenhum ponto específico para isso. Não há nenhuma razão real para que eu vá para o meu estúdio pintar, além de amar isso.”

O trabalho de Boyd estará visível na Samuel Lynne Galleries até 2 de junho de 2018. Dê uma olhada - ou apenas olhe para o vazio, você pode apenas encontrá-lo olhando de volta para você.








terça-feira, 24 de abril de 2018

Depoimento emocionado de Mike sobre o amigo Avicii (para Variety)

Na última sexta (20/04), morreu o DJ sueco Avicii, que como muitos sabem era amigo do Mike. Juntos compuseram o hit 'Wake me up' lançado em 2013. Durante o fim de semana, Mike conversou com a Variety e deu um depoimento emocionado sobre o amigo. Abaixo a matéria traduzida.

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Avicii lembrado pelo co-compositor de "Wake Me Up", Mike Einziger: "Ele mudou minha vida"

O guitarrista do Incubus diz que ainda está processando a morte de seu amigo.




Como um dos co-compositores do hit de Avicii, “Wake Me Up”, o guitarrista do Incubus, Mike Einziger, conhecia muito bem o DJ sueco (nome verdadeiro: Tim Bergling), que morreu na sexta-feira por causas não reveladas. Einziger diz que há várias canções inéditas que eles escreveram juntos: "Eu espero que algum dia as pessoas possam ouvir porque, para mim, são algumas das minhas peças favoritas que eu já escrevi." Einziger (na foto acima com Avicii e Nile Rodgers) falou com a Variety durante o fim de semana e recordou emocionado sua amizade com Berglinger e seu trabalho em conjunto.

Eu conheci o Tim em 2012. Tínhamos amigos em comum, especificamente (o representante de Avicii A & R) Neil Jacobson, que o estava ajudando a escolher músicos para o álbum. Eu estava ciente de quem Tim era, mas eu não estava muito familiarizado com o seu trabalho. Eu conhecia "Levels" e eu sabia que ele era realmente um jovem garoto que produziu essa música incrível e era realmente difundida na cultura pop. Eu não queria escrever música eletrônica ou algo do tipo, mas quando ouvi que Tim queria se encontrar para falar sobre música, achei que seria uma ótima oportunidade para eu ampliar o que eu estava trabalhando. Eu pensei que seria interessante ver onde estava sua cabeça.

Quando nos reunimos pela primeira vez, não fizemos nenhuma música, apenas conversamos por algumas horas. E era realmente óbvio que deveríamos escrever algo juntos. Tim estava me dizendo que queria fazer música de uma forma muito mais orgânica e ele realmente queria utilizar instrumentação ao vivo, e queria usar suas influências folk como ponto de referência. Ele ouvia  realmente música boa.

Fizemos um plano para que ele fosse até minha casa e passássemos a noite escrevendo, então ele foi - e foi aí que “Wake Me Up” aconteceu. Levou apenas algumas horas. Foi como um toque de mágica, o que é inacreditável agora, especialmente olhando para trás: a primeira vez que nos sentamos para escrever música juntos, “Wake Me Up” aconteceu.

Eu lembro que Tim me enviou uma versão bruta da música às três horas da manhã - ele continuou trabalhando, editando e fazendo pequenas mudanças - e eu toquei a música bem alto na minha casa. Foi muito especial. Daquele ponto em diante, foi tipo uma onda: eu toquei guitarra e o ajudei em um monte de outras músicas do álbum, como "Hey, Brother" e "Addicted to You". Nós nos conhecemos mais através desse processo e então escrevemos várias outras músicas juntas durante esse tempo. Eu espero que algum dia as pessoas cheguem a essas músicas porque, para mim, elas são algumas das minhas peças favoritas que já escrevi.

Com o passar do tempo, mais e mais pessoas começaram a se conectar com a música. Tornou-se esta coisa que não só conectou com pessoas ao meu redor, conectou com crianças, avós e suas as crianças. Eu não sei nem dizer quantas pessoas me disseram que seus filhos cresceram ouvindo “Wake Me Up” - famílias inteiras. Para mim, essa é a coisa mais gratificante do mundo, trazer alegria assim para as casas das pessoas. Eu nunca teria visto isso se não fosse pelo Tim, e me sinto muito sortudo, e sortudo por ter trabalhado com ele.

Nós passamos muito tempo juntos escrevendo músicas, depois disso e eu o conheci mais pessoalmente, de uma maneira muito individual e privada. Nós compartilhamos muitas conversas íntimas e profundas sobre as coisas pelas quais passamos, os desafios que enfrentamos e as muitas pressões que acompanham o tipo de sucesso que ele teve. Eu queria que ele ainda estivesse aqui.

O que mais me lembro sobre ele, é sua curiosidade infantil quando se trata de música. Isso é uma coisa que vai embora quando você fica mais velho, é uma coisa muito difícil de manter em sua vida - não apenas com música, com qualquer coisa - e ele trouxe esse sentimento infantil de admiração e curiosidade para fora de mim, no processo de composição. Foi tudo novo para ele e isso me despertou, e sou muito grato por isso. É tão fácil ficar cansado e ele estava aberto. Havia uma inocência sobre ele, desse jeito, isso é meio difícil de colocar em palavras. Ele não tinha ego em nenhuma das músicas que fizemos; ele só queria a melhor música.

O senso de produção de Tim era tão monstruoso: ele realmente sabia como queria que cada pequena sílaba soasse. Seu nível de comprometimento, não importava quanto tempo demorasse, ele se sentaria lá e gravaria o trabalho várias vezes. Eu estaria tão cansado - iria para casa e ele ainda estava preso em uma sílaba.

A última vez que o vi (foi há dois ou três meses). O Incubus tinha acabado uma turnê na Ásia, Austrália e África do Sul, e bem antes de sair eu estava no estúdio com Tim e o cantor britânico Emile Sande. Ele parecia feliz e estava feliz por estar de volta ao estúdio. Nós estávamos trabalhando em algumas músicas novas. Ele parecia que estava em um lugar bom, ele estava animado com a música.

Eu gostaria de ter estado lá para ajudá-lo. Ele era uma pessoa tão doce e tinha uma vida tão longa pela frente. Talvez eu não tenha apreciado isso tanto quanto deveria quando ele estava vivo, mas ele realmente mudou minha vida de uma forma muito profunda, como colaborador, como um parceiro criativo. Alguns dos trabalhos que fizemos juntos, são algumas das músicas de que mais me orgulho em toda a minha vida. Passamos por um período criativo juntos que foi realmente emocionante e divertido. Quando coisas assim acontecem, é como mágica e realmente raro. Para compartilhar isso com ele e apenas para ver e ser capaz de sentir o quão vibrante ele era como ser humano e também como artista, ele tinha uma visão criativa tão forte. Ele estava tão comprometido com cada coisa que ele trabalhou. E foi realmente um privilégio estar por perto e compartilhar isso com alguém tão vibrante.

Ele era tão doce e tão visionário. Ainda não consigo acreditar que ele se foi - ainda estou tentando processar isso. É horrível. Ele era um ser humano tão doce, genuíno. Ele era tão jovem. Estes são todos clichês, mas é apenas trágico. Tudo o que posso fazer é balançar a cabeça.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Brandon Boyd reinventando o Incubus e abordando a América de Trump no novo disco '8' (Entrevista)

Traduzimos a entrevista que Brandon deu ao site Music Feeds da Austrália.

Ontem eles fizeram em Brisbane (Austrália) o último show da turnê pela Ásia e Oceania, agora eles seguem para o Havaí. 
Aqui todas as datas dos próximos shows.

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Brandon Boyd reinventando o Incubus e abordando a América de Trump no novo disco '8'


Entrando em seu 27º ano de existência, os roqueiros californianos do Incubus estariam dentro de seus direitos de ficar num circuito nostálgico e ficar o resto do tempo remoendo seus hits ‘multi-platinum’ de anos atrás. Mas, como uma peça única de seu oitavo disco de estúdio, ‘8’, eles deixam bem claro, o Incubus ainda é uma força criativa a ser considerada.

Com um esforço energizado e experimental, ‘8’ encontra a banda em forma de rachaduras, exibindo ondas musicais e composições de músicas que muitas bandas mais novas matariam para ter, enquanto faziam perguntas aos ouvintes e ao mundo com cada nota.

É um corajosa declaração de intenção da banda, liderada desde o início pelo, vocalista/pintor/autor/cara atraente de 42 anos, Brandon Boyd, um homem cuja produção artística, perspectivas profundamente espirituais e esforços filantrópicos inspiraram milhares de fãs em todo o mundo, a obter tinta em sua homenagem (e sem dúvida, milhões hiperventilam quando o vêem ao vivo).

Na primeira turnê da banda na Austrália, em mais de seis anos, Brandon foi gentil o suficiente para falar com o Brenton Harris da Music Feeds, dando uma visão esclarecida sobre o processo criativo, suas opiniões políticas e ideais, assim como a busca contínua de reinvenção da banda.


MF: Brandon, obrigado por ter tido tempo para conversar com o Music Feeds, como vai a vida?

BB: A vida esta adorável, obrigado por perguntar, como está para você?


MF: Muito bem na verdade, e uma das razões para isso é que o Incubus está vindo para a Austrália para uma série de shows em seis anos, divulgando o ‘8’! Você está tão entusiasmado para estar aqui para esses shows, assim como seus fãs estão por vocês estarem de voltar?

BB: Ah, sim, cara, estamos extremamente entusiasmados, nós amamos, amamos, amamos, AMAMOS ir para a Austrália, por tantos motivos, um deles não menos importante, é que não vamos lá tão freqüentemente, então sempre é especial, mas também porque a Austrália e a Califórnia são muito parecidas, sempre sentimos como se estivéssemos em casa e não a milhares de quilômetros de distância quando tocamos lá, e também sempre conseguimos fazer shows legais, então estamos ansiosos para voltar para casa, por assim dizer.


MF: Eu concordo com essa noção de sermos espíritos afins, sempre me senti muito confortável na Califórnia, quando visitei e apreciei as pessoas por sua bondade, então é bom ouvir que você se sente em casa quando você visita a Austrália. 
Muitas bandas se esforçariam para encontrar novas direções sonoras e líricas para explorar no momento em que compõe o oitavo disco, mas vocês conseguiram fazer as duas coisas no ‘8’, resultando em um disco com um som muito fresco, havia algo específico que fosse inspirador para o Incubus durante o processo de criação?


BB: Como artista, tive alguns momentos na minha vida onde senti como se estivesse bloqueado para escrever, para pintar, e o que eu aprendi é que a criatividade é um animal dinâmico, que existe em um nível de consciência próprio. Quando chega, eu gosto de recebê-lo na minha casa, cuidar dele, cultivá-lo e conseguir o máximo que posso, até que ele decida voltar para casa novamente.

Eu tenho muitos amigos que são artistas que quando a criatividade deixa sua casa, eles tomam isso de forma tão pessoal, e eles se deixam vencer por isso, quando eu finalmente entendi que é algo que vem e vai, que é como uma pedra rolante e que lisonjeia quando aparece, mas as pessoas entram no modo de crise quando é hora de sair. Então eu faço o meu melhor para não me ofender quando isso acontece comigo e, em vez disso, tento me concentrar nas coisas que são propícias para que essa criatividade flua novamente, descobri que estar na minha casa, ter a capacidade de pintar e surfar, mas também ter a capacidade de sair em turnê e, literalmente, mudar o cenário e ver algo novo, tem sido um método bem sucedido até agora.


MF: O clima político atual nos EUA definitivamente parece ter influenciado alguns aspectos do disco ‘8’, para uma banda que não é conhecida por ser abertamente política, fora o ativismo ambiental, no ‘8’ você realmente se inclinou na direção política, era algo que você simplesmente não podia ignorar?

BB: Eu não diria que é um novo território, há várias músicas antigas que se concentraram em questões políticas, mas definitivamente há mais no ‘8’, e é porque o mundo é um lugar muito grudento culturalmente e a América está agindo numa parte interessante a esse respeito, as vezes você se sente como parte de um gigante experimento científico, onde nunca vamos ver o fim, mas definitivamente é algo que inspira um para se abrir sobre isso.

É também uma mudança muito rápida, culturalmente em casa, a medida em que começamos a escrever o ‘8’, Trump estava só declarando que estava se candidatando a presidente, e então, antes de terminarmos, ele realmente foi eleito e senti como se tivesse acordado em um mundo completamente diferente. Parecia que as pessoas o elegeram como um ato de dissidência política, ao invés de qualquer pensamento nas conseqüência, e as consequências daquilo tem sido uma constantemente devolução. O que vou dizer é que é crise política e cultural, porque é o que é para nós, é uma crise cultural, e atua como uma grande musa criativa, faz uma arte boa.


MF: Incubus faz 27 anos este ano, mas vocês nunca foram bem sucessos em ser rotulados em um tipo de som, ou movimento, ou um período musical, sem levar em conta o empenho de alguns segmentos da imprensa em tentar classifica-los como nu-metal, vocês sempre permaneceram distintamente 'Incubus', como vocês conseguiram escapar de serem rotulados?

BB: É um truque muito simples e vou compartilhar com você agora, nos cobrimos com óleo de bebê, constantemente, assim ninguém pode nos agarrar!

Honestamente, não sei a resposta verdadeira pra essa pergunta. Só sei que desde o início até hoje mantivemos muita seriedade sobre a nossa arte e o processo criativo, e sempre acreditamos que a curiosidade é um ingrediente muito vital e necessário, e eu sei que como cantor, compositor e pintor, sou tão curioso, se não mais curioso agora do que eu quando começamos a fazer isso, e isso continua me inspirando a jogar mais cores na tela, para ver o que acontece.


MF: Você acha que a dedicação a essa autenticidade no processo criativo e não ter um som rotulado ajudou vocês a escaparem da nostalgia de um disco retrospectivo, que muitas bandas de uma era similar a de vocês parecem presas, você já consideraria fazer um desses tipos de turnê?

BB: Ainda não, ainda não. Há ainda uma vitalidade em nossa banda, uma curiosidade sobre o território novo e o desejo de criar e explorar, então vamos continuar procurando por isso, e quem sabe um dia talvez encontremos a resposta para essa curiosidade e diremos "oh, olhe, está lá, é o que tínhamos procurado durante todo esse tempo" e vamos pegar nossos instrumentos e decidir que é tempo de turnê de nostalgia, mas espero que estejamos com 55 nesse momento.


MF: Você provavelmente ainda estará se balançando, no estilo Iggy Pop.

BB: Eu espero por isso, sinceramente!


MF: Você é pessoalmente um artista multidisciplinar, tendo sucesso trabalhando com arte visual, escrita e, claro, música, há elementos da sua personalidade que você expresse de forma mais fácil, ou fácil em um meio do que outro?

Definitivamente se informam, mas também têm uma energia própria. O visual, eu gosto de descrever que é uma única árvore, com um sistema de raiz compartilhado, cada meio ou saída criativa é uma ramificação. Em certos dias, eu estou em cima de um ramo, em outros dias eu estarei em cima de outro, mas em outros dias vou me concentrar em pensar sobre como a árvore se parecerá se crescer outro ramo. O que eu tento fazer, para usar mais essa metáfora, é garantir que a árvore esteja coberta de flores tanto quanto possível, quero nutrir esta idéia de não apenas arte, mas criatividade.

O que é viver uma vida criativa? O que significa ser consistente no processo criativo? Produzir diferentes tipos de frutos, ao invés de apenas dizer "vou escrever uma música e vai ser uma música de sucesso”, é muito mais interessante para mim explorar como seria uma música que possa mudar a mente de alguém, ou inspirar alguém a agir com uma força positiva, ou eu quero pintar uma imagem que faria alguém se fazer uma pergunta que nunca fez antes. Estou muito mais interessado agora no processo criativo como uma filosofia do que qualquer outra coisa, se isso faz sentido?


MF: É, definitivamente, e na minha opinião é um ato de coragem, de colocar tanto de si, continuamente, para o público ver e ouvir do jeito que você faz, isso deixa você desconfortável, tão exposto ou já deixou?

BB: Sempre há uma sensação muito palpável de vulnerabilidade sempre que faço alguma coisa. Quando lançamos discos novos, meu coração fica batendo três vezes mais rápido por cerca de duas semanas, fico nervoso e ansioso, vulnerável e tenso, mas depois lembro que eu faço isso porque tenho esse impulso irresistível de fazer as coisas, então eu sinto que é um bom exercício para mim como ser humano, continuar a aprender que a vulnerabilidade não precisa ser ameaçadora, e aprendi a cada vez que, à medida que o medo do processo desaparece, o crescimento como artista e como um ser humano aparece como recompensa, que muitas vezes inspira mais criatividade.

MF: Essa é uma perspectiva fascinante e auto-consciente, se houver um músico ou artista em desenvolvimento lutando para colocar sua arte pra fora, por conta dessa vulnerabilidade, quais conselhos você daria para superar esse medo?

BB: Eu costumava ter um pesadelo recorrente quando era criança. Quando começava a adormecer, eu ia caindo em um vazio preto, e havia um tambor batendo, como um tambor de guerra, cada vez mais rápido e mais alto e mais alto, e agora fazendo uma retrospectiva, eu entendi que era o meu próprio batimento cardíaco acelerado, mas eu sentia como se fosse um tambor de guerra, que continuava batendo e batendo e sempre acordei desse sonho antes de chegar ao fim, porque eu estava aterrorizado que algo acontecesse. Eu era pequeno quando tive esse sonho, mas teve um momento que eu tinha 12 ou 13 anos que fiquei cansado de acordar, e comecei a me testar e decidi que iria cair no fundo desse vazio para ver o que estava lá, e o que era tão intimidador disso e por que era tão assustador. Cheguei ao fundo do poço e não havia nada lá, e então nunca mais tive aquele sonho. Então, o meu conselho para jovens artistas é apenas ficar de frente com o que você tem medo e enfrentar de frente, porque você vai perceber que não há nada para temer, é só você lá, só você, então, o que está lá para temer?

MF: O Incubus sempre se comprometeu em devolver, através da filantropia com a Make Yourself Foundation, e o ativismo ambiental, o que impulsiona esse desejo e existe algo forte que você ache importante e gostaria de impactar positivamente através da sua base de fãs?

BB: No momento, como estamos em turnê, estamos basicamente em fase de angariação de fundos. Ao longo dos últimos anos, o dinheiro foi para muitas situações de ajuda de desastres, porque houve muitos desastres naturais acontecendo ao redor do mundo.

O impulso para continuar a fazer esse tipo de atividade é porque se você tem essa oportunidade, essa habilidade de arrecadar dinheiro, e aumentar a consciência, e impactar o mundo de forma positiva, de uma maneira muito tangível, então, por que não? É importante que todos façamos nossa parte para tornar o mundo um lugar melhor, e deixar o mundo em um lugar melhor do que era quando chegamos, por isso estamos todos empenhados em garantir que continuemos a contribuir, de qualquer maneira que possamos, no futuro.

MF: Esse é um sentimento muito nobre e é ótimo ver essa atitude, de continuar a se comprometer em fazer o bem para o mundo, quando, na realidade, você pode optar por fazer qualquer outra coisa com os frutos do seu sucesso. Me falaram que devemos seguir caminhos separados agora, então, obrigado por ter tido tempo para conversar com o Music Feeds hoje, esta foi uma entrevista realmente esclarecedora e uma discussão que eu adoraria continuar com você quando você estiver em Melbourne.

BB: Qualquer hora cara, obrigada pelo seu tempo também, nos vemos em março.





quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Brandon Boyd: Todo mundo da banda sempre quis vir para África do Sul (Entrevista)

Com a ida da banda pela primeira vez para África, muitas entrevistas estão surgindo.
Aqui traduzimos uma pequena entrevista com Brandon para o Channel24.

Em paralelo a isso, na última segunda, foi inaugurada uma pop up gallery 'Opti Mystic' com os seus trabalhos na Cidade do Cabo. Aqui tem algumas fotos do evento. 

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Brandon Boyd: Todo mundo da banda sempre quis vir para África do Sul.


A banda de rock americana Incubus está atualmente em uma turnê sul-africana e tocou para uma multidão apaixonada no sábado em Pretoria, no Monumento Taal.

Antes do show, Channel24 falou com Brandon sobre a chegada na África do Sul, o que o inspira e muito mais, incluindo o que ele sempre faz turnê.

C24: Esta será a sua primeira vez na África do Sul?

BB: Sim, pela primeira vez.

C24:Quando vocês formaram o Incubus em 1991, vocês pensaram que ainda estariam juntos tantos anos depois? Qual é o segredo para se manter relevante na indústria da música durante esse longo período?

BB: Eu não fazia ideia de que nosso projeto de pequena banda duraria um mês e muito menos 27 anos. E, o mais importante, ainda preenchido com tanta vitalidade e diversão depois de todo esse tempo. Eu acho que é isso que nos manteve envolvidos por muito tempo. Nós adoramos muito isso e nos preocupam, é como nosso filho. Outra razão pela é interessante, é que é um desafio profundo. Mesmo quando você acha que é um especialista em alguma parte do processo, isso tem uma tendência engraçada para escapar entre os dedos como a barra de sabão no chuveiro.

C24: Sua música é uma mistura de muitos gêneros do rock ao hip-hop ao eletrônico, o que inspira essa mistura? Quais são as suas maiores influências?

BB: Acho que sempre fomos e continuamos a ser influenciados por qualquer coisa e tudo. Ninguém na banda escuta exclusivamente um gênero de música, todos somos admiradores de música como forma de arte e, portanto, sempre permitimos que todos e cada um dos estilos se comunique com o que fazemos. Na maioria das vezes, inconscientemente.

C24: O que fez vocês quererem tocar na África do Sul?

BB: Nós gostamos de ir onde somos queridos! (Risos) Mas, egoisticamente, todos na banda sempre quiseram vir para a África do Sul e tentamos há muitos anos fazer com que funcionasse. A logística não funcionou a nosso favor até este momento. Mas nós conseguimos!

C24: O que os fãs podem esperar do show?

BB: Eles podem esperar que os arcos-íris disparem para fora de seus olhos, chantilly surgindo espontaneamente de seus jeans, e as pombas brancas vibram em câmera lenta em qualquer direção que eles olhem no concerto. Entre outras coisas...

C24: Qual é a única coisa que você sempre leva em uma turnê com você?

BB: Minha câmera e um pequeno kit de arte.

C24: Existe uma atividade local que que você ama? Ou queria colaborar com alguma?

BB: Espero ver algumas atividades locais enquanto estamos aqui!


Ben Kenney, como crescer com modelos brancos do rock and roll (Entrevista)

Entrevista traduzida do Ben, para o site sul-africano The Daily Vox.

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Ben Kenney do Incubus, como crescer com modelos brancos do rock and roll.

O Daily Vox conversou o baixista do Incubus, Ben Benney, cerca de uma hora antes do seu primeiro show na África do Sul, no sábado, 24 de fevereiro. Perguntamos sobre a importância para as crianças negras com músicos negros servindo de exemplos, 'Black Lives Matter', a presidência de Trump e sua própria atitude pessoal em relação à pirataria de sua música.

O Incubus é uma banda de rock alternativo mundialmente conhecida, da Califórnia, EUA, que vem se apresentando em todo o mundo há quase três décadas. Eles venderam mais de 23 milhões de álbuns em todo o mundo e uma apresentação matadora, enérgica que dominou o público ansioso em Pretória. O Incubus é incomum para uma banda de rock americana, por conta da sua incrível diversidade racial. Dos cinco membros, Chris Kilmore (DJ) e Ben Kenney (baixo) são negros, Jose Pasillas (baterista) é latino e Brandon Boyd (vocal) e Einziger (guitarrista) são brancos.

Além de seu gênio musical amplamente aclamado, suas músicas abordam questões políticas sérias, como o racismo, enfrentando presidentes ditatoriais dos EUA, como George Bush, e elogios aos trapaceiros e rebeldes que superaram a apatia social.

TDV: Incubus vem tocando desde 1991 e já viajou por todo o mundo, mas nunca esteve na África do Sul ou em qualquer outro lugar na África até agora. Existe uma razão para isso? Como se sente estando aqui?

BK: É ótimo estar aqui. Nós queríamos vir aqui há muito tempo. Não é a viagem mais fácil de se fazer para uma banda. Temos uma equipe grande que viajamos e é muito longe. Não há muitas paradas ao longo do caminho que podemos fazer. Viajar nos EUA para nós é realmente fácil. Dirigimos por quatro horas, fazemos um show, dirigimos mais quatro horas [e] fazemos outro show. Para chegar aqui, tivemos que voar por quase um dia inteiro. Tivemos um vôo de 7 horas e meia e depois um voo de 10 horas. Então esse é o único motivo, é realmente muito longe.

TDV: Você sabe que o Incubus tem muitos fãs na África do Sul que estão realmente ansiosos para vê-los?

BK: Teve um pouco de zumbido ao longo dos anos. As pessoas pediam que viéssemos tocar. Mas acho que vamos descobrir em algumas horas sobre o que se trata.

TDV: Você se importa (alguns artistas se importam) em como as pessoas têm consumido sua música, comprando CDs, ouvindo online ou o que for?

BK: É ótimo quando existe um sistema de suporte, porque nos permite ter dinheiro para fazer mais discos. Pessoalmente, eu adoro quando as pessoas adoram a música. Isso é a coisa mais importante acima de tudo. Então, o que você tiver que fazer para para ter isso, você sabe, se estiver fazendo, estou animado.

TDV: Entando no contexto da África do Sul. Existe um forte clima de tensão racial aqui, historicamente e atualmente. Algumas das músicas de vocês lidam com esses problemas. Na música "Thieves", por exemplo, a banda diz "quando eu vou ter o meu, devo ser um americano branco temente a Deus?". Você pode nos contar um pouco mais sobre isso e como ele pode se conectar com o contexto sul-africano?

BK: Sim, quero dizer para nós, somos artistas, sabe? Tipo pessoas de esquerda. Queremos tentar fazer coisas para cuidar uns dos outros. Quando se trata disso, não temos muita ganância motivada, estamos motivados pela alegria. Eu acho que essas duas coisas são visíveis quando você olha a política e a história. Algumas pessoas estão mais preocupadas com o lucro do que com a felicidade. Quero dizer felicidade em geral, felicidade para os outros. A felicidade que você pode compartilhar. É realmente complicado porque o mundo agora está mais aberto para muitas coisas do que nunca. É meio assustador o que motiva algumas pessoas.

TDV: Você pode nos contar um pouco mais sobre como você cresceu e como isso influenciou seu interesse pela música?

BK: Cresci a cerca de uma hora da cidade de Nova York. Minha família é ótima, pessoas realmente especiais. Minha mãe é uma americana branca, meu pai é um americano negro. No meu bairro tinham outras crianças mestiças - era aproximadamente cerca de 80% brancos e 20% negros. Para a maior parte, nós conseguimos. Eu não percebi como o resto do mundo funcionava até eu começar a deixar o ninho e viajar para lugares diferentes e conhecer outras pessoas. Eu estava meio protegido e por isso acho que isso me incomoda mais agora.

TDV: De uma perspectiva sul-africana, que é um país muito diversificado racialmente, recebemos muitas grandes bandas de rock que tem predominantemente músicos brancos. É notável que o Incubus é muito mais diversificado com seus membros do que a maioria dessas bandas. Isso é importante para a banda e como ela produz sua música?

BK: Eu sei para mim, é importante. Eu não tinha tantos modelos negros que faziam o que eu queria fazer, tinha modelos brancos. Eu queria tocar guitarra e estar em uma banda de rock e fazer tudo isso. Não era exatamente o normal. Então, se houver alguma chance de nós fazermos isso, e pessoas negras possam nos ver e então se verem fazendo isso, então talvez isso abra possibilidades em suas mentes. Então eu acho que isso é importante. Porque quando você é jovem e não vê ninguém parecido com você fazendo alguma coisa, é difícil se imaginar fazendo também.

TDV: Quais são seus sentimentos pessoais sobre a atual tensão racial e movimentos como ‘Black Lives Matter' nos EUA agora?

BK: Acho que as vidas negras são muito, muito importantes. Eu acho que eles são muito importantes para mim. A maioria da minha família é negra. É difícil dizer algo sobre isso que não chatei as pessoas. As pessoas ficam chateadas em qualquer direção. Se você não é firme o suficiente ou o que quer que seja. Mas eu não sei. As coisas que estão sendo trazidas agora são os primeiros passos para melhorar as coisas. E as coisas estão realmente fodidas. A maneira antiga de se fazer coisas é mais visível - é desagradavelmente visível, e não sou fã disso.

TDV: Todos sabemos na África do Sul o que está acontecendo agora na política dos EUA com a presidência Trump. O Incubus como banda lidou diretamente com questões políticas em sua música. A música e o vídeo de "Megalomaniac" são um bom exemplo. Existe alguma coisa que você queira dizer sobre isso para as pessoas que estão muito preocupadas? Isso influencia sua música?

BK: Oh, sim, isso influencia tudo. É uma coisa que eu odeio ter que pensar. É meio horrível. Não somos fãs de pessoas em posições poderosas que olhem de cima para as pessoas. É inevitável que as pessoas em posições altas olhem para baixo. Mas, eu realmente nunca estive nisso e é meio desagradável.




terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Perguntas e Respostas: Brandon Boyd fala sobre arte com Visi

Entrevista com Brandon para o site Visi da África do Sul. Nessa entrevista ele já dá uma deixa que vem livro novo por aí.


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Não apenas é apenas líder da famosa banda de rock Incubus, Brandon Boyd também é um artista visual realizado. Além do show da banda em Cape Town na quarta-feira, 28 de fevereiro, Brandon também mostrará seu trabalho na Gallery One11 na Loop Street, em uma exposição pop-up intitulada ‘Opti-Mystic’.

Aqui, ele conversou conosco sobre seu trabalho, influências e por que ele escolheu fazer um contrato musical, ao invés da bolsa de estudos na escola de arte.


Enquanto muitas pessoas conhecem você por sua contribuição para o mundo da música, nem todos estão conscientes da sua paixão de criar arte. Quando você começou a pintar?

Eu tenho feito isso desde que me lembro. Me expressar através de meios visuais e não-verbais foi sempre como eu mais me comuniquei, dos processos complexos e abstratos que estavam acontecendo no meu mundo interior. Houve uma série de fatores que me ensinaram a conhecer o mundo calmamente quando eu era criança, mas o efeito inverso de alguns desses mesmos fatores era um desejo irresistível de compartilhar o que vi, através de desenhos, pinturas e fotografias.

Quando eu era adolescente, algumas portas foram derrubaram para mim espiritualmente, e senti como se eu tivesse finalmente me dado permissão para usar minha voz e cantar e escrever as coisas que eu vi, o que me levou ao caminho pelo qual eu estive nesses quase 27 anos com Incubus. Mas meu amor e apreciação por meios visuais como a pintura nunca diminuíram, eles simplesmente cresciam exponencialmente. Então eu tenho trabalhado nestas modalidades lado a lado o tempo todo.


A arte influencia a música ou a música influencia a arte?

Eles tendem a se informar. Às vezes, eles se espalham simultaneamente, o que deve parecer bastante aleatório se alguém fosse uma testemunha acidental desse processo nebuloso. Provavelmente estou um pouco louco ...


O que o fez você assinar um contrato musical em vez de se inscrever na escola de arte com uma bolsa de estudos?

Houve um breve momento com uma bifurcação na estrada! Mas as circunstâncias começaram a fazer as turnês com a banda parecem a escolha sábia (haha). Só não me falhe a memória, me ofereceram uma bolsa de estudos muito parcial, e provavelmente eu teria entrado em uma enorme dívida estudantil, o que parecia mais perigoso e impulsivo do que entrar em uma van com um monte de angustias e pedidos das nossas músicas por cada bar e quintal na América.


Seu trabalho é uma mistura de retratos, formas e padrões abstratos misteriosos. Como você escolhe o tema?

Sim, nos últimos anos, fiquei um pouco obcecado com o trabalho de linhas compulsivas, se sobrepondo com retratos de aquarela mais figurativos de amigos e amantes. O assunto não foi escolhido tanto quanto ele colidiu. Tenho uma abordagem para o meu processo criativo que não é terrivelmente deliberado. Eu simplesmente faço o meu melhor para criar uma atmosfera e/ou um ambiente que convide momentos inspiradores, pessoas, encontros, etc. no meu pequeno mundo. Então eu sinto que é a minha honra e expressão do meu Amor (no sentido universal/cósmico) expressar minha experiência em cores e som. Espero que faça um pouco de sentido!


O que você mais gosta de criar?

Que pergunta incrível. Mas é difícil de responder especificamente! Farei o meu melhor:

Supondo que, se eu realmente iniciar com o processo criativo, ele começa flertando com idéias que derivam da experiência espiritual. Não é como se você imaginasse o final de uma jornada de um herói, como se fosse para um longo túnel de luz ou vendo seus parentes lhe saudando em portões dourados, não. É mais a oportunidade de olhar para o abismo. Esse vazio infinito que espera, depois do sonho que você teve na noite passada, onde você olha para um fantástico Nada e sorri para a imensidão de um potencial infinito.

Eu quase nunca sei o que eu estou escrevendo uma música, até muito tempo depois de terminar, quase nunca tenho uma imagem clara em mente do que eu quero pintar. Eu simplesmente me deixo ir. Começar. Como uma rendição, como um medium do século 19 com apenas luz de velas, uma almofada e um lápis. Um rabisco e tipo uma psicoterapia, até algum lugar nessa bagunça de sujeira, emerge uma pequena mensagem do que se sente em algum outro lugar, mas provavelmente está em toda parte o tempo todo. É quase, ouso dizer ... diversão (?)

Essa manhã eu li uma observação engraçada sobre arte, de um escritor cujo trabalho eu amei por muito tempo, chamado Tom Robbins. Ele escreveu muitos livros excelentes que você deveria ler: Jitterbug Perfume, Skinny Legs e All, Even Cowgirls Get the Blues, etc.

"Na casa assombrada da vida, a arte é a única escada que não cruza ..."


O que vem por aí para Brandon Boyd?

Muitas turnês este ano e trabalhando devagar, mas certamente, no que será o meu quarto livro. Eu adoraria estar em um filme zumbi também. Apenas dizendo…



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Jose Pasillas: da MTV para a geração YouTube (Entrevista)

Traduzimos uma entrevista que o Jose deu para o site sul africano Texx and the City.


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Jose Pasillas: da MTV para a geração YouTube 

O baterista fala das músicas que ele gosta de tocar, seus pensamentos sobre o YouTube e os riscos de montar um setlist.

Além de ser um dos bateristas autodidatas mais engenhosos em cena, Jose Pasillas tem um forte impulso empreendedor que o mantém ocupado quando ele não está na estrada com Incubus.

Com duas exposições bem sucedidas, uma linha de roupas e coleção Remo Artbeat, Pasillas conseguiu capitalizar com sucesso sua celebridade, exibindo seu brilho artístico e habilidades em múltiplas plataformas.

Sua voz tranquila com sotaque californiano me cumprimenta do outro lado do telefone e eu passo alguns minutos de fã tiete antes de poder me recompor.

Tecla Ciolfi: Eu li numa entrevista que você deu no ano passado, em que você disse que África e África do Sul estavam na sua lista de desejos. Quando surgiu pela primeira vez a discussão da África ser potencialmente possível?

José Pasillas: Isso foi levantado várias vezes ao longo da última década, mas é um lugar tão difícil de chegar, porque precisamos organizar uma formação de outros shows em torno de lá, para tornar viável financeiramente, por isso nunca tinha sido organizado.
Mas desta vez planejávamos gastar um pouco mais de tempo internacionalmente, então a África do Sul surgiu novamente, e funcionou muito bem, então ficamos super entusiasmados, que finalmente conseguimos fazer com que isso acontecesse. Sabemos que temos muitos fãs lá e desejamos ir há muitos anos.

TC: Eu sei que vocês fizeram turnês com Deftones em 2015 e dois anos antes, eles já vieram para a África do Sul tocar em um dos nossos maiores festivais, eles alguma vez fizeram comentários sobre o país, ou outras bandas já conversaram com vocês sobre como é se apresentar aqui?

JP: Eu lembro de mencionar a África do Sul a Abe [Cunningham] e ele disse que eles tiveram uma experiência incrível, eles foram explorar e fazer um safari ... Eu acho que vamos tentar fazer o mesmo.

TC: Espero que vocês também tenham algum tempo livre quando estiverem em Cape Town.

JP: SIM, minha esposa passou algum tempo lá enquanto trabalhava e ela elogiou.

TC:  Então, como vocês começam a montar um setlist para um país em que vocês nunca estiveram? Quero dizer, eu sei que adoro ouvir faixas de 'S.C.I.E.N.C.E' e 'Morning View', mas pode haver uma pressão para incluir mais singles ... você já teve desentendimentos sobre o que colocar e o que cortar? 

JP: Pra nós, essa é realmente a parte mais difícil de se preparar para fazer turnês. O que normalmente fazemos, é tocar 60, 70, 80 músicas nos ensaios [risos] e então tentamos reduzir para 22, 23 músicas e é muito difícil.

Tentamos tocar uma base com todos as músicas, é apenas um ato de equilíbrio. E algumas músicas não soam tão bem, então também há uma curva de aprendizado. Então, vamos tentando algumas músicas, alguns setists e mudamos a medida que vamos tocando, então, normalmente, no final da turnê, temos uma setlist batendo de verdade [risos novamente], mas é preciso alguns bons shows para ver o que funciona.

TC: Você se vê colocando batidas diferentes em músicas que você toca desde os anos 90? Eu posso imaginar que você também quer manter as coisas frescas para você no palco.

JP: Definitivamente, há um pouco disso. A primeira coisa que fazemos quando vamos ensaiar, é ver como podemos fazer algumas músicas um pouco mais interessantes para nós e para os fãs. Tocamos algumas músicas há mais de 20 anos, temos de mante-las frescas para nós, mas ainda assim tornarmos excitante para os fãs. Nós não queremos mudá-las tanto quanto passa pela cabeça de todos.

TC: Tem alguma música específica que você gosta mais de tocar, por alguma razão específica?

JP: Hmmm, essa é uma pergunta difícil. No momento, tenho me divertido muito tocando as músicas do último disco "8" - todo o disco é realmente divertido de tocar. Mas, em seguida, existem os principais destaques de cada set, outras músicas de discos que são desafiantes para mim são divertidas de tocar, porque nunca envelhecem, então "Sick Sad Little World" seria uma. Eu adoro tocar 'Wish You Were Here', 'Circles', 'If Not Now, When?' é uma música muito lenta e suave e é muito divertida de tocar - tentamos criar um setlist muito colorido com diferentes discos e músicas diferentes.

TC: Você já foi muito citado dizendo que você teve zero treinamento formal de bateria, o que tem seus aspectos positivos e negativos, mas hoje em dia as pessoas podem simplesmente abrir o Youtube, ver um tutorial ou uma batida de bateria de sua música favorita - você pensa que constrói um tipo diferente de músico, talvez uma maneira diferente de se aproximar, pensar e aprender sobre bateria?

JP: Oh, 100%. O nível dos bateristas hoje em dia, comparado com quando eu comecei é um totalmente diferente. Tudo está tão prontamente disponível no Youtube e as crianças que têm 12 anos estão fazendo coisas que eu nunca mais poderei fazer [risos]. E tudo o que eles fazem é assistir seus bateristas favoritos no YouTube e realmente aumentou o nível para quem toca algum instrumento de verdade.

TC: A indústria mudou tanto desde que você se formou e não quero entrar em uma questão de streaming porque ficaríamos aqui o dia todo - mas adoraria saber como você consome música. Como você ouve música quando está em casa?

JP: Eu não tenho capacidade de atenção, então eu amo ouvir uma variedade de música, eu sou um tipo de cara randômico. Quando eu estou no carro com minha filha eu ouço música online, ela ama música pop. É uma combinação dos dois, mas uso muito Pandora e escuto meu catálogo salvo, porque não comprei nada de novo há algum tempo, mas sim, é assim que a música me move até hoje.